Uma viagem para descansar: conversa com Carla Vilhena

Uma viagem para descansar: conversa com Carla Vilhena

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Às vezes a vida dá uma reviravolta, pode ser uma mudança de cidade, de trabalho, de organização familiar, ou mesmo uma grande reforma em casa. Basta algo fora do lugar na rotina e uma porção de coisas que estavam simplesmente suspensas passam a soprar aos ouvidos aumentando a responsabilidade de encontrar uma solução logo. Neste caso, uma viagem curta pode ajudar a relaxar e pensar melhor numa estratégia de passar pelo furacão sem muitos danos haha...

 

E aí nada melhor que contar com o relato pessoal de alguém que está vivendo um momento de mudanças e aproveitou para sair de viagem para descansar. Tive o prazer de conhecer a jornalista e apresentadora Carla Vilhena, quando estava hospedada no resort Costão do Santinho, aqui em Floripa. Conversamos alguns momentos, mas foi o suficiente para sentir sua energia e carisma. Em uma nova fase profissional, a Carla deu detalhes sobre as recentes mudanças em sua vida enquanto aproveitava o tempinho a sós com o maridão.

 

O que move a Carla Vilhena hoje?

Há cerca de 2 anos, comecei um blog,  era uma forma de  mostrar um pouco mais de como eu sou na verdade, porque o trabalho do jornalista tem certas limitações. Você trabalha com notícia,  não pode se colocar como pessoa, nem falar muito dos seus sentimentos, das suas aspirações, dos seus anseios. Então, o blog foi uma forma de me mostrar para o meu público, que já me conhecia e já tinha muito carinho por mim pela televisão. Foi uma maneira de mostrar o que mais eu tinha a oferecer. E não só o meu trabalho de jornalista e repórter que sempre foi muito importante para mim, mas que já não estava sendo só o que eu queria fazer.

Propus muitas categorias dentro do meu blog, mas uma das coisas que mais me move são as viagens. Eu sempre gostei muito de viajar, viajo desde de muito novinha, já fui com 17 anos sozinha para a europa, de mochileira, isso sempre teve no meu DNA. Gosto muito dessa vida assim cigana. Quando eu estava no Fantástico, era uma das coisas que eu mais gostava, de um dia estar numa cidade, outro dia estar em outra, passar uma semana fora, quinze dias fora, gravando, isso para mim era uma parte muito importante do meu trabalho. E aí eu comecei a perceber que esse lado também era um pouco do que o público queria ver, uma forma de você viajar sem ser óbvia.

Chegando aqui no Costão do Santinho, por exemplo... já fui no Rancho do Pescador, já fui lá conversar com eles, estavam fritando peixe e me deram para provar, me mostraram os barcos, suas redes e tudo mais. Gosto desse outro lado, não só o lado óbvio, o lado que você descobre e que é mais humano. É fazer a sua viagem sair do lugar comum.

Sempre que eu vou em um lugar eu estudo bastante sobre esse lugar, eu acho que a gente consegue apreciar mais. Se você chega a uma cidade histórica e conhece toda aquela história,  vê aspectos que são curiosos daquela história, isso faz que você realmente curta mais o passeio. Eu tento fazer isso com tudo.

Sair do eixo mais óbvio, praias do Nordeste, por exemplo, é ótimo também. A gente sabe que aqui em Santa Catarina as belezas naturais são incríveis, as praias são incrivelmente belas, mas pelo fato de ter o clima mais temperado, talvez não tenha o ano inteiro a possibilidade de você ficar dentro do mar, mas tem tantas outras coisas para se fazer... Por exemplo, aqui no Costão, a gente já foi no Spa, já foi na piscina interna, tem o sítio arqueológico, tem as caminhadas ecológicas, tem a vista que é magnífica, quer dizer, só de você ficar aqui relaxando, já é uma coisa muito intensa, então ter outras possibilidades também é importante. E a natureza aqui também é o que eu busco, esse barulhinho do mar quando você está no quarto, o relaxamento que isso traz, não é simplesmente o sol e o calor, porque aqui tem mais do que isso...

 

...Novos desafios profissionais

Agora falando de trabalho, mudanças... Sim, tem um público que já me acompanha há muito tempo, muito antes da Globo, tem gente que se lembra de mim ainda fazendo Jornal na Band, e essas pessoas realmente nunca me abandonaram. Foi se somando também um público de vários tipos de jornal que eu fiz. Já apresentei jornal bem cedo, jornal muito tarde, jornal local, jornal de rede. Então, hoje eu tenho o prazer de chegar em qualquer lugar do Brasil e ver que as pessoas acompanharam o meu trabalho, que gostam de mim.

E aí eu pensei nisso, como que eu posso retribuir o carinho que eu recebo dessas pessoas, já que não consigo fazer isso só através das minhas matérias ou só através da minha apresentação. Comecei a escrever textos que mostravam um pouco como eu sou, que falam do meu estilo de vida. E o que eu posso concluir é que eles tocaram o coração das pessoas. Entrei há pouco tempo nas redes sociais, tenho dois anos de Instagram, por exemplo, e já teve um crescimento incrível. As pessoas que me seguem não são só as que já me conhecem da TV, mas também os que estão entrando agora.

Depois que eu deixei a TV, eu comecei a participar de alguns outros programas com uma audiência mais jovem, recebi uma renovação enorme de público que eu não esperava. Estou tentando atender também essas pessoas novas, que não conhecem muito a minha história, mas que gostaram de quando eu fui no Danilo Gentili, por exemplo. Muita gente me mandou mensagem dizendo “eu não conhecia você, mas agora eu estou te seguindo”, é outro mundo.

As redes sociais hoje possibilitaram que a gente esteja muito mais próximo de várias faixas de público, do que simplesmente a TV aberta. Estamos neste momento de vento em popa, para cuidar dessa parte. E agora vamos lançar um novo blog, o que antes era só texto, agora vai ter uma home fixa, com as minhas memórias da minha vida profissional, e ainda estamos estudando como seria um formato de programa para o Youtube.

 

Fugir do roteiro, por quê?

 

Eu fiquei 4 anos trabalhando em um programa que vai ao ar no domingo, isso significa que meu filho, que agora está com 13 anos, tinha 9 anos, quando eu comecei a trabalhar todo o final de semana. Não tive como neste meio tempo viajar com eles, fazer muitas coisas que eu gostaria de ter feito com eles, então agora a gente queria realmente dar um tempo e aproveitá-los.

Os gêmeos por exemplo, vão passar para uma faculdade, onde?, eu não sei… eu não sei se eles vão estar comigo ano que vem, ou se vão estar fora de casa… então sabe aquele desespero que dá em mãe quando vê que os filhos estão saindo e você quer cuidar e quer ficar junto? Esse ano eu tirei realmente para ficar com eles, pra cuidar deles e pra cuidar de mim também. Nós dois, por exemplo, tivemos lua de mel ano passado e a gente está casado há 8 anos. Não conseguíamos viajar sozinhos, então agora aproveitando que as crianças estão maiores e eu tenho essa disponibilidade, nos divertimos e trabalhamos nas viagens juntos.

Penso que depois de um período muito individualista, muito consumista das pessoas, o mundo todo está se voltando para experiência. As pessoas precisam viver experiências. Sejam experiências de viagens, experiências gastronômicas, intelectuais, artísticas, ou seja, coisas que óbvio precisam de dinheiro, mas que o dinheiro simplesmente não compra, o dinheiro proporciona.

Não trabalhamos mais somente para ter mais um bem, mais um carro ou afins. Muitas pessoas já se voltaram para esse lado das experiências inesquecíveis. E é isso que a gente quer proporcionar com o meu trabalho, eu mostro que é possível você ter várias formas de experiências inesquecíveis, desde fazendo uma viagem como mochileira até você ficando em um lugar tão exclusivo, tão incrível que poucas pessoas tem acesso, porque vale a pena. Por que esse lugar é tão incrível e tão exclusivo? Ele é uma conquista também. Às vezes a gente não gasta dinheiro com coisas que não tem a menor importância? Talvez juntando um pouco mais e indo para um lugar incrível, um lugar que poucas pessoas conhecem, que seja um lugar escondido no meio da floresta... a questão não é de ser caro ou barato, é que é uma experiência exclusiva, uma experiência única. É isso o que eu acho que fica pra gente da vida.

Tudo o que eu fiz até hoje, meter as caras realmente, dizer “olha eu quero conhecer, eu vou nessa cidade". Não importa se é distante, mas se eu sei que tem um mosteiro sensacional, se sei que tem um museu que eu vou amar e tal, tudo valeu a pena. São coisas que você carrega pra vida, que me dão muito prazer, e que eu não trocaria por nada, por nenhum outro bem material. A liberdade de você poder viajar, conhecer e conseguir viver, mais do que ter. Sentir, experimentar. Um prato inesquecível. Uma cozinha típica de algum lugar. Isso pra mim é inesquecível, pra mim vale a pena. 

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